
Presos a uma coleira invisível, ao primeiro sinal da dona eles se esgueiram e seguem à sua companhia. Nunca saem do diâmetro imposto pela guia. Se roem alguma coisa errada, levam um belo esporro e até mesmo um tapa no focinho (as donas mais bravas tendem a ser perigosas para seus animais). Não devem urinar fora da área devida, senão também levam uma sova (...).
Mas, como todo animal domesticado, aprendeu a fazer a manha mais eficaz do reino animal. Uma carinha de abandonado e logo ganha um ossinho (ou uma carninha mais gorda, se é que me entendem). Arranham a porta da frente quando são postos pra fora de casa e, ganindo, derretem o coração de qualquer megera. E assim conquistam seu espaço.
Sem saberem, Mulher e Cachorro criam uma dependência doentia. Apesar de serem complementares, a simbiose é obrigatória e o Cachorro já não consegue mais se livrar da coleira. Quando ele encontra algo novo na rua, sua dona encurta a guia e logo o Cachorro engasga. Poor guy.
A Mulher também não consegue desfazer-se do seu bichinho de estimação, porque ele dá a ela a sensação de poder, de dominatrix. Numa sociedade tão machista como a que vivemos hoje, isso é um triunfo!
E assim eles vão vivendo. O Cachorro com sua dona e a Mulher acordando todos os dias com a baba do seu animalzinho, que ela domina por completo.
Cachorros presos a um relacionamento encoleirado? Prefiro os pássaros que vêm por livre e espontâneo prazer à minha janela, todas as manhãs, só para cantar alguma coisa à toa. E depois voam.
Eu sei que vão voltar porque querem, e não porque mantive-os encarceirados.
Talvez isso seja o que chamam de amor.